Os queixadas são mamíferos parentes dos porcos-do-mato e estão entre os animais sociais mais impressionantes das florestas e outras áreas naturais da América do Sul. Vivem em bandos grandes e coesos, que podem reunir muitos indivíduos de diferentes idades.
Já foram observados bandos com cerca de 300 indivíduos em áreas bem conservadas. Quando o grupo se desloca, a paisagem parece até ganhar movimento próprio, pois eles avançam juntos, fazem barulho, se comunicam o
tempo todo e ocupam o ambiente como uma verdadeira tropa da natureza pantaneira.
Essa vida em grupo é a principal força dos queixadas. Em bando eles aumentam a proteção, localizam recursos e reagem a ameaças. Diferentemente de outros animais que fogem sozinhos, os queixadas podem se manter muito unidos quando percebem perigo, e essa coesão faz toda a diferença. Também usam sinais sonoros, cheiro forte característico e linguagem corporal para manter o grupo organizado. Estudos recentes mostram que essa espécie tem comunicação social complexa e interações bem estruturadas dentro do bando.
Na alimentação, são animais oportunistas, sendo muito importantes para a floresta. Comem frutos, sementes, raízes e outros recursos vegetais, e por isso ajudam a mexer no solo e transportar matéria orgânica. Em alguns lugares, são considerados “jardineiros da floresta”, porque sua movimentação e alimentação influenciam bastante o ambiente ao realizar a poda do estrato herbáceo e a dispersão de certas plantas. Precisam de áreas grandes e contínuas para viver bem, o que os torna muito sensíveis à destruição e fragmentação do habitat.
Outra curiosidade importante é que os queixadas costumam percorrer longas distâncias e usar áreas muito amplas, justamente porque a vida em grandes bandos exige espaço, alimento e segurança. Isso faz deles ótimos símbolos da conectividade da paisagem. Onde há queixadas, geralmente também há necessidade de um ambiente preservado, rotas de deslocamento e a floresta funcionando ecologicamente bem, em grande escala. Por isso, além de impressionarem pela coragem e pela união, eles também ajudam a contar uma história sobre conservação da natureza.