As araras-azuis estão entre as aves mais inteligentes, curiosas e carismáticas do Pantanal. Podem viver mais de 50 anos e têm uma memória fantástica. Conseguem se lembrar de outras araras, de lugares, de sons e até de situações específicas por décadas.
Na natureza, podem ser vistas voando, andando pelo chão, penduradas em cachos de frutos de palmeiras ou pousadas em galhos. Costumam viver em bandos de 10 a 30 indivíduos, especialmente nas áreas de alimentação e nos dormitórios, que são os locais onde descansam e dormem. Mesmo quando estão em bandos grandes, elas se organizam em casais.
Os membros do bando interagem o tempo todo. É muito comum observar araras-azuis vocalizando sem parar, como se estivessem conversando e contando histórias umas para as outras. De certo modo, é isso mesmo que fazem. Assim como outros psitacídeos, como papagaios, periquitos e outras espécies de araras, elas são excelentes imitadoras e conseguem reproduzir sons aprendidos na natureza durante essas interações em grupo.
Além dos sons, também demonstram amizade e conexão por meio do contato físico. Elas coçam, fazem “cafuné”, limpam as penas umas das outras e brincam entre si ou com galhos, flores e folhas das árvores onde estão pousadas.
Na época reprodutiva, os casais podem ser vistos voando e se alimentando juntos, longe dos grandes bandos ou em grupos bem menores. São fiéis ao parceiro e dividem as tarefas de escavar buracos em troncos de árvores, preparar o ninho, cuidar dos ovos e proteger os filhotes.
Durante deslocamentos longos em busca de alimento, as araras-azuis também ajudam a natureza de outra forma: podem dispersar sementes, espalhando-as para longe da planta-mãe e contribuindo para a renovação da vegetação.
As araras-azuis são escavadoras de ninhos em troncos de árvores, mas preferem aproveitar cavidades que já começaram a ser abertas por outras aves, como os pica-paus, ou usar galhos grossos perfurados por cupins ou enfraquecidos por fungos. Também utilizam troncos ou galhos quebrados, ampliando a cavidade e depois forrando o interior com serragem e material vegetal fofo. Por isso, são consideradas engenheiras do ecossistema. Ao modificarem a estrutura das árvores para construir seus ninhos, acabam criando cavidades que depois podem servir de abrigo para muitas outras espécies, como insetos, mamíferos arborícolas, aves e até répteis.
No Pantanal, cerca de 90% dos ninhos são encontrados em árvores de manduvi, que têm tronco grosso e interior mais macio, facilitando a escavação. As araras-azuis também podem ser encontradas em campos abertos, em matas com palmeiras, na borda ou no interior de cordilheiras e capões, além de áreas abertas usadas como pastagem em fazendas.